
Como medir resultados de GEO e AEO sem ferramenta paga
Você publicou conteúdo pensando em ser citado pelo ChatGPT, ativou FAQ Schema, ajustou títulos para responder perguntas diretas. Aí bate a dúvida: será que está funcionando? A tentação é assinar uma plataforma de rastreamento de menções em IA que cobra em dólar e some do seu orçamento. Calma. Dá para saber se a estratégia está andando sem pagar nada, usando método, planilha e um pouco de disciplina.
O problema é que quase todo mundo mistura duas coisas diferentes: aparecer no Google (o velho SEO) e ser escolhido como fonte por um modelo de linguagem. Medir a segunda exige olhar sinais que as ferramentas gratuitas de sempre não mostram de forma óbvia. Vou destrinchar o que dá para acompanhar de graça, com que frequência, e como transformar isso em decisão.
Por que medir GEO e AEO é diferente de medir SEO
No SEO tradicional você tem posição média, cliques e impressões no Search Console. É um sistema fechado, o Google te dá os dados. Já na otimização para respostas de IA, não existe um painel oficial que diga "você foi citado 47 vezes pelo Gemini esta semana". Os modelos não expõem isso.
Então a medição vira indireta. Você combina três frentes: testes manuais de prompts (aparece ou não aparece na resposta), sinais de tráfego que denunciam origem em IA, e evolução das perguntas que o seu conteúdo responde. Se você ainda está entendendo o conceito por trás disso, vale ler antes o que é GEO (Generative Engine Optimization), porque a lógica de citação muda tudo na forma de medir.
Método 1: teste manual de prompts, o mais honesto que existe
É rudimentar e é o que mais me dá certeza. Você faz uma lista de 15 a 30 perguntas que um cliente real faria e que o seu conteúdo deveria responder. Depois roda essas perguntas no ChatGPT, no Gemini e no Perplexity, e anota se a sua marca ou o seu site aparece na resposta ou nas citações.
Como montar o teste sem enviesar
- Use uma janela anônima ou uma conta sem histórico, senão o modelo te mostra o que já sabe que você gosta.
- Repita cada pergunta em dois ou três dias diferentes, porque as respostas variam.
- Anote três estados: citado com link, mencionado sem link, ausente.
- No Perplexity, olhe a lista de fontes lateral, é onde a citação fica explícita.
Já vi um site pequeno de nicho que não aparecia em nenhuma resposta em janeiro e, depois de reescrever quatro artigos em formato de pergunta e resposta direta, passou a ser citado pelo Perplexity em cerca de metade das perguntas testadas. Não precisou de ferramenta nenhuma para saber disso, só da planilha e do hábito de repetir o teste.
Método 2: caçar tráfego de IA no Google Analytics de graça
Quando alguém clica num link dentro de uma resposta do ChatGPT ou do Perplexity, esse acesso chega ao seu site com uma origem identificável. O GA4, que é gratuito, registra isso, e você não precisa de plugin pago para ver.
No GA4, vá em Aquisição, Aquisição de tráfego e filtre por origem/mídia. Procure por referências como chatgpt.com, perplexity.ai, gemini.google.com e copilot.microsoft.com. Cada visita dessas é prova concreta de que você foi citado e clicado.
O sinal mais subestimado
Em contas que auditei, o tráfego vindo de assistentes de IA costumava representar entre 1% e 4% das sessões orgânicas em sites que trabalharam bem o formato de resposta. Parece pouco, mas é um visitante com intenção altíssima: ele já leu a resposta e clicou para confirmar em você.
Um alerta sobre esses números
Nem todo assistente passa a origem de forma limpa. O Gemini, por rodar dentro do Google, às vezes some no meio do tráfego orgânico geral. Então trate esse dado como piso, não como total. O número real de citações é sempre maior do que o clique que chega.
Método 3: Search Console para as perguntas certas
O Search Console continua útil mesmo na era da IA. Filtre as consultas que contêm palavras como "como", "o que é", "qual", "vale a pena". São perguntas em linguagem natural, exatamente o tipo de input que as pessoas jogam nos modelos. Se você ganha impressão nessas consultas, é forte indício de que seu conteúdo está no formato que a IA gosta de consumir.
Cruze isso com a prática de aparecer nas respostas. O passo a passo de conteúdo que descrevi combina bem com o que já expliquei sobre AEO na prática, porque otimizar para a resposta e medir a resposta são o mesmo ciclo visto de dois ângulos.
Montando seu painel gratuito numa planilha
Junte tudo numa planilha do Google Sheets. Uma aba para os testes de prompt (data, pergunta, modelo, estado da citação), outra para o tráfego de IA colado do GA4, e uma terceira com as consultas-pergunta do Search Console. Atualize a cada 15 dias. Em três meses você tem uma tendência clara e não gastou um centavo.
| Método | Custo | O que mede | Frequência ideal |
|---|---|---|---|
| Teste manual de prompts | Grátis | Citação direta na IA | Quinzenal |
| GA4 (origem de IA) | Grátis | Clique vindo da resposta | Semanal |
| Search Console | Grátis | Consultas em formato pergunta | Mensal |
| Plataforma de menções em IA | Assinatura em dólar | Volume de citações agregado | Contínua |
A última linha existe só para você saber o que está deixando de lado. Para um dono de pequeno negócio, o combo gratuito das três primeiras linhas responde 80% das perguntas que importam.
Quais indicadores acompanhar de perto
Nem todo dado merece atenção igual. Depois de rodar isso em vários projetos, priorizo os sinais que mais se correlacionam com resultado real.
Peso de cada sinal na avaliação de GEO e AEO
Fonte: framework de acompanhamento usado pela autora em projetos de consultoria de GEO.
A taxa de citação nos testes manuais é a rainha porque é a prova mais direta. Se você aparece em 12 de 30 perguntas testadas em março e sobe para 18 de 30 em junho, você melhorou, ponto. O resto ajuda a explicar o porquê.
Como o conteúdo vira citação: o que o teste revela
Quando você começa a medir, um padrão aparece. Os artigos citados costumam ter resposta direta no primeiro parágrafo, dados verificáveis e boa estrutura de perguntas. Isso não é opinião minha isolada, o próprio Google descreve os sinais de qualidade em suas diretrizes de conteúdo útil, disponíveis no Search Central, e esses sinais conversam com o que os modelos priorizam ao escolher fontes.
Um recurso técnico que ajuda a virar citação, e que dá para medir indiretamente, é a marcação de perguntas e respostas na página. Se você quer entender a parte prática, o guia de FAQ Schema com exemplos JSON-LD mostra como estruturar isso. Depois de aplicar, volte à sua planilha e veja se a taxa de citação naquele tema subiu.
Situação típica: antes e depois de medir
Vale contrastar como um negócio pequeno trabalha antes e depois de adotar essa rotina de medição gratuita.
- Publica e torce para aparecer na IA
- Não sabe quais perguntas geram citação
- Acha que precisa de ferramenta em dólar
- Decide conteúdo por achismo
- Testa 30 prompts a cada 15 dias
- Sabe que 6 temas geram 80% das citações
- Usa GA4 e Search Console, custo zero
- Reescreve com base em dado real
A diferença não está na tecnologia, está no hábito. A rotina de medir custa umas duas horas por quinzena e substitui uma assinatura que sairia por bem mais que a hospedagem do seu site (que fica entre R$ 20 e R$ 80 por mês). Se um dia o volume crescer muito, aí sim faz sentido avaliar uma ferramenta paga, mas comece pelo gratuito.
Erros que sabotam sua medição
- Testar logado na sua conta. O modelo personaliza e você acha que está sendo citado quando não está.
- Medir num dia só. A resposta de amanhã pode ser outra, sempre repita.
- Ignorar menção sem link. Aparecer pelo nome já constrói autoridade, anote mesmo sem clique.
- Confundir tráfego de IA com orgânico normal. Filtre a origem direito no GA4.
- Querer resultado em uma semana. Citação em IA se move em meses, não em dias.
O que fazer a partir daqui
Comece hoje pelo mais barato de todos: abra uma planilha e escreva 20 perguntas que seus clientes fariam. Rode metade delas no ChatGPT e metade no Perplexity, em janela anônima, e anote quem apareceu. Isso já te dá uma linha de base. Na próxima quinzena, repita. Em paralelo, entre no GA4 e confira se algum assistente já está te mandando visita.
Na minha experiência, quem transforma isso em rotina para de gastar energia adivinhando e passa a agir com base no que os modelos realmente fazem. Ferramenta paga é conforto, não pré-requisito. O dado que decide sua estratégia de GEO e AEO está, na maior parte, ao seu alcance sem custo. Escolha o hábito antes da assinatura.
Perguntas frequentes
Dá mesmo para medir GEO sem ferramenta paga?
Sim. Testes manuais de prompts, GA4 e Search Console cobrem a maioria das perguntas de um pequeno negócio, tudo gratuito. Ferramentas pagas agregam volume e automação, mas não são pré-requisito para começar a decidir com base em dados.
Como sei se o ChatGPT está mandando visitas para o meu site?
No GA4, vá em Aquisição de tráfego e filtre por origem. Procure por chatgpt.com, perplexity.ai e domínios de assistentes. Cada sessão dessas é um clique que veio de dentro de uma resposta gerada por IA.
Quantas perguntas devo testar manualmente?
Entre 15 e 30 perguntas reais de clientes já dão uma amostra útil. Repita cada uma em dias diferentes e em janela anônima, porque as respostas dos modelos variam e a personalização pode enviesar o resultado.
Com que frequência devo medir?
Testes de prompt a cada 15 dias, tráfego de IA no GA4 semanalmente e consultas do Search Console uma vez por mês. Citação em IA evolui em meses, então olhe a tendência e evite tirar conclusão de um único dia.
Menção sem link conta como resultado?
Sim. Aparecer pelo nome da marca numa resposta constrói reconhecimento mesmo sem clique. Anote esses casos na sua planilha, porque eles indicam que a IA já reconhece você como fonte relevante para aquele tema.
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